O eremita estava andando pelo bosque que passava todo ano em busca de frutas frescas, como faz todo ano nessa época.
Durante o caminho encontrou um homem sentado, aos prantos, no meio da humilde trilha que ligava um vilarejo a outro.
O eremita, confuso, não exitou e com sua voz rouca que não praticava a fala por muito tempo, perguntou:
- Qual o motivo de sua tristeza, meu jovem?
- Sofro de Agônia, meu senhor.
- Agônia, o que ocorreu?
O homem pensou se iria se abrir com o eremita ou não. Mas por estarem sozinhos no bosque e por ser um velho sábio, que não via um rosto estranho por muito tempo, se sentiu seguro em abrir-se e disse:
- Meu senhor, a agônia é por amor.
- Amor? Ela não esta mais em seus braços, meu amigo?
- Não, não é isso, ela nunca soube que eu a queria em meus braços.
No mesmo momento o eremita frangiu a testa, apontando seu longo dedo para o homem caído no chão, elevando sua voz disse:
- Seu covarde, não disse nada a ela?
O Homem levantou o rosto e disse:
- Não senhor, mas não é necessário, ela te certa forma sabe. O problema é que ela está presa.
- Presa?
- Sim, presa com sua utopia, isso não é possivel que eu remova dela.
[...]